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CONSULADO ITALIANO INAUGURA, NO RIO BUSTO-MONUMENTO EM HOMENAGEM AO BICENTENÁRIO DA IMPERATRIZ TERESA CRISTINA

Data:

14/03/2022


CONSULADO ITALIANO INAUGURA, NO RIO BUSTO-MONUMENTO EM HOMENAGEM AO BICENTENÁRIO DA IMPERATRIZ TERESA CRISTINA

Obra assinada pelo artista Gianguido Bonfanti de foi instalada na Praça Itália, no Centro da capital fluminense. Local já abrigou estátua em homenagem à princesa Italiana que veio a se tornar mulher do imperador Dom Pedro II e conhecida como a "mãe dos brasileiros"

O Consulado-Geral da Itália no Rio de Janeiro inaugurou, na manhã desta segunda-feira (14) um busto-monumento da Imperatriz Teresa Cristina. A obra, assinada pelo renomado artista ítalo-brasileiro Gianguido Bonfanti, foi instalada na Praça Itália, no Centro da capital, dando início a uma série de eventos em comemoração ao bicentenário daquela que veio a ser chamada de "a mãe dos brasileiros".

Com 1,95 metro de altura, o busto-monumento criado por Bonfanti inova em desing. O rosto de Teresa Cristina foi talhado em bronze, enquanto chapas de aço formam a sua silhueta, simulando trage típico por ela usado à época Imperial. O artista revelou que se baseou em cerca de 20 imagens da imperatriz para compor a peça, moldada primeiramente em argila para, depois, ser submetida ao "mesmo processo de fundição usado no mundo há 5 mim anos.
"Gostaria de ressaltar que o projeto da obra foi o resultado de um processo de aprofundamento histórico-conceitual que envolveu nos últimos meses, inúmeros estudiosos e acadêmicos italianos e brasileiros, com a participação também da Faculdade de Arquitetura de Florença", disse o Cônsul-geral Paolo Miraglia.

O diplomata enfatizou em seu discurso as grandes contribuições da Imperatriz "para a formação da identidade global deste maravilhoso país e, em particular, para o desenvolvimento das relações culturais, artísticas, sociais e políticas entre a Itália e o Brasil, iniciado justamente com o Reino das Duas Sicílias e prosseguido com o Reino da Itália, logo após a unificação de 1861".
"Absolutamente importante ainda foi sua contribuição para o desenvolvimento do processo de imigração da Itália, que levou ao estabelecimento da maior colônia de oriundos italianos do mundo, atualmente estimada em cerca de 30 milhões no Brasil, juntamente com o fortalecimento e a fertilização de um proveitoso intercâmbio artístico-cultural", destacou o cônsul.

A inauguração do busto-monumento contou com a apresentação da orquestra de cordas Camerata Laranjeiras e foi seguida por um coquetel servido a convidados. Prestigiaram o evento embaixadora Marcia Maro da Silva, a Secretária municipal de Conservação Anna Laura Secco, o Diretor do Museu Nacional, Sr. Alexander Kellne, o diretor do Museu Imperial de Petrópolis, Maurício Vicente Ferreira Junior, além do deputado Carlos Mim, representando o presidente da Assembleia Legislativa do Rio André Ceciliano e do trineto da imperatriz príncipe Dom João Henrique de Orleans e Bragança, trineto da Imperatriz Teresa.

Localizada no cruzamento das Avenidas Beira-Mar e Presidente Antônio Carlos, no Centro do Rio, a Praça Itália já abrigou um busto em nj da imperatriz. A escultura, no entanto, foi furtada em janeiro de 2019 e não mais recuperada.
A Praça Itália é cuidada pelo Consulado da Itália, que aderiu ao Programa de Adoção de Áreas Públicas da Fundação Parques e Jardins em 2015, tornando-se responsável pela manutenção e conservação paisagística do local, que atualmente passa por um processo de revitalização.

SÉRIE DE EVENTOS
A inauguração do busto-monumento foi o primeiro de uma série de eventos promovidos pelo Consulado Geral da Itália no Rio em comemoração ao bicentenário da imperatriz, comemorado neste 14 de março.
Já na noite desta segunda-feira, será inaugurada, no Palácio Tiradentes, histórica sede da Alerj, também no Centro do Rio, a exposição “Teresa Cristina em Construção”, que ficará aberta ao público até 8 de abril. Na mostra, os visitantes poderão conferir os figurinos e parte da cenografia usados na novela "Nos tempos do imperador", cedidos pela TV Globo, e conhecer melhor a atuação da imperatriz no campo da arqueologia.
Dando sequência às comemorações do bicentenário da Imperatriz, será lançado no dia 16 o livro para crianças “A Cidade de Teresa”, assinado pela Professora Ana Maria de Andrade, com texto em português e italiano. O lançamento será realizado no Colégio Estadual Rodrigo Otávio Filho, em Vaz Lobo, Zona Norte da capital fluminense, primeira escola pública bilíngue e bicultural Italia-Brasil no Estado de Rio, fruto de uma parceria firmada entre o Consulado-Geral da Itália, a Secretaria de Estado da Educação e o Departamento de Italiano da UFRJ.
“Com estes eventos, exaltamos não somente a memória da Imperatriz, mas também as relações e os profundos laços históricos e culturais entre a Itália e o Brasil” destaca o Consul-Geral, Paolo Miraglia del Giudice.

Homenagem na Cidade de Teresa
No dia 16 de março, o Consulado-Geral da Itália no Rio de Janeiro participará de um evento especial promovido pela Prefeitura de Teresópolis, cidade serrana batizada em homenagem à Imperatriz.
Lá será realizado, no Palácio Teresa Cristina, o “Sarau Artístico Cultural Teresópolis, Cidade de Teresa”, que contará com a participação do prefeito Vinicius Claussen e seu vice, Dr. Ari Boulanger, além da secretária de cultura Cléo Jordão.
Princesa na Itália, Imperatriz no Brasil
Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias nasceu em Nápoles, no Sul da Itália, em 14 de março de 1822. Filha do Rei Francisco I das Duas Sicílias e da Princesa Maria Isabel da Espanha, ostentou o título de princesa durante seus primeiros 20 anos de vida, mas viveu os demais 47 anos sob a alcunha de Imperatriz.
Aos 21 anos de idade, Teresa Cristina se casou com o primo português Dom Pedro II, então Imperador do Brasil. O casamento se deu por procuração, assinada pela noiva em Nápoles, e o casal só se conheceu quando ela desembarcou no Rio, em 3 de setembro de 1843.
Até 1889, quando foi decretado o fim do Império brasileiro e instaurada a República, a Imperatriz viveu no Brasil, mas teve pouca influência na política do país. Em contrapartida, dedicou sua vida a ações de caridade e de fomento à cultura.
Nos registros históricos, Teresa Cristina é sempre descrita como uma mulher de sorriso terno e bondoso, que tratava a todos de forma muito amável e gentil. Seu comportamento lhe rendeu o apelido de “mãe dos brasileiros” – foi a mulher mais admirada e respeitada de todo o período colonial brasileiro.
Historiadores apontam que a Imperatriz teve grande influência na imigração de italianos para o território brasileiro, fomentando a vinda ao Brasil não apenas de camponeses para o trabalho agrícola, mas também de profissionais especializados como médicos, engenheiros, professores, artistas e artesãos.
O apreço à arte e à cultura, sobretudo pelas relíquias históricas de antigas civilizações, rendeu à Teresa Cristina outro apelido a ela conferido no Brasil, o de “imperatriz arqueóloga”. A arqueologia teria sido a grande paixão de Teresa Cristina.
Graças à Imperatriz, o país recebeu mais de 700 peças, entre artefatos em bronze, terracota, vidro e afrescos, produzidos entre os séculos VII a.C. e III d.C. Dentre eles, estavam vasos, estatuetas, afrescos, amuletos, vasilhames, ânfora, panelas, como caixas de joias, pulseiras e anéis, todos encontrados em escavações nas cidades romanas de Pompeia e Herculano, na região de Nápoles, e na cidade etrusca de Veios, perto de Roma.
Tal acervo formava a “Coleção Teresa Cristina”, que ficava exposta no Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, Zona Norte da Capital Fluminense, onde residiu a Família Imperial. Entretanto, a coleção foi parcialmente destruída no incêndio que devastou o prédio histórico em setembro de 2018.
Teresa Cristina morreu aos 67 anos de idade, em Portugal, em dezembro de 1889, pouco mais de um mês depois de ser expulsa do Brasil, juntamente à toda família imperial, diante da Proclamação da República, que deu fim ao império colonial no país.
Segundo os registros históricos, em seu leito de morte, a Imperatriz teria dito à Baronesa de Japurá, Maria Isabel de Andrade Lisboa, que a acompanhava no exílio, que estava morrendo de “dor e tristeza", não de doença, por ter sido obrigada a deixar o Brasil.
A notícia da morte da “Mãe dos brasileiros” gerou grande comoção no país e sua memória é lembrada nos nomes de várias cidades, como Teresópolis, no Rio de Janeiro, Teresina, no Piauí, Cristina, em Minas Gerais, e Imperatriz, no Maranhão.


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